domingo, 28 de maio de 2017

A socialização em Rede.






A socialização acontece desde o nascimento de um indivíduo. É interessante pensarmos que quando nascemos não pertencemos a uma religião ou a uma cultura. Essas questões se estabelecem durante o processo de socialização da criança, que começa a se identificar com o grupo que pertence. Pensemos que cada um de nós somos formados de acordo com o meio social em que vivemos.
Atualmente, o processo de socialização quebrou barreiras, tendo em vista que, nesse período histórico, a sociabilidade entre as pessoas não ocorre apenas num espaço físico. Os recursos das tecnologias da informação e comunicação nos possibilitam o estabelecimento de relações, de troca de informações , de conhecimento de culturas, mesmo não estando fisicamente num local para isso. Através das relações sociais, que se constituem na rede, movimentos são criados e informações são compartilhadas. Tendo em vista o grande potencial da internet na troca de informações, de conhecimentos, por que não utilizar esse poderoso recurso na educação?  O docente, nesse contexto de aprendizagem, passa ser um mediador dos elementos que vão surgindo e o aluno pode ser autor dos conhecimentos. É interessante percebermos que, na Web não há hierarquização absoluta, sendo assim, o que está disponível na rede se encontra em um mesmo plano. Esse fato é interessante para desmitificarmos a educação de forma vertical, em que o professor está no topo distribuindo informações para baixo, nesse caso, para o aluno.  Com a utilização da rede, todos podem divulgar, compartilhar informações, estando no mesmo patamar, de forma horizontal.
Assim como já mencionei, a socialização entre as pessoas ganhou novo espaço. A interação no ciberespaço, nos faz compreender que a comunicação   entre os sujeitos ocorre em alguns suportes, que são os sites e aplicativos de redes sociais. Gosto sempre de fazer uma analogia sobre os locais que ocorre a socialização na rede e fisicamente. Por exemplo: uma sala de aula é o local onde ocorre a comunicação entre as pessoas, assim, a socialização não é a sala de aula, mas sim feita pelas pessoas que nela estão. O mesmo ocorre com os aplicativos e sites de redes sociais, em que a rede em si não é o Facebook ou Whatsapp, mas se dão através das relações que se estabelecem nesse site e aplicativo de redes sociais. Dessa forma, independente do interagente estar na frente de uma tela de computador ou de celular, ele está participando dos sites de redes sociais e estabelecendo comunicação com outras pessoas. Assim, não é porque estamos "na tela" que estamos isolados do mundo, pelo contrário, conhecemos mais o mundo.
Dessa maneira, existem diversas possibilidades do uso das redes sociais, não só para educação, mas também para os diversos setores da sociedade, facilitando, muitas vezes, a troca de conhecimentos, de comunicação e de divulgação de informações.

Referência:


LÉVY, Pierre. Cibercultura/ Pierre Lévy. São Paulo. Ed. 34, 1999.

sábado, 20 de maio de 2017

A escola analógica em um mundo digital.



O mundo vive um período digital, em que o bit - menor unidade de medida para a transmissão de informações, que é reconhecida na linguagem computacional por 0 e 1 - se torna importantíssima para nas novas tecnologias. Ouvimos constantemente se falar das tecnologias digitais ou da passagem do analógico para o digital. O modem, que muitas pessoas possuem ou já possuíram em casa, é um aparelho que transforma o sinal analógico, que vem da linha telefônica, para o sinal digital, aquele que é entendido pelo computador e vice-versa. Dessa forma, quando falamos em tecnologias digitais, naturalmente estamos abordando a linguagem que o computador entende, que é 0 e 1.
Vamos pensar agora na escola! Como era (são) as instituições de ensino? Sem esforços logo nos vem em mente a figura de um quadro negro, do caderno, dos livros didáticos, das apostilas, das carteiras enfileiradas, dos fardamentos obrigatórios, dos diários, etc. Esses instrumentos auxiliavam os docentes e discentes em sala de aula. Hoje podemos dizer que, muitos desses recursos, foram digitalizados. Se pensarmos no quadro negro, podemos facilmente lembrar da lousa interativa; os cadernos podem ser substituídos por anotações em um editor de texto; os livros didáticos já podemos encontrar em forma digital, sem a necessidade de tê-los fisicamente; o diário pode ser facilmente substituídos por um aplicativos de organização de tarefas. Mas, as escolas aderiram a digitalização dos meios analógicos? Infelizmente poucas instituições de ensino são equipadas com recursos digitais e as que possuem pouco utilizam esses aparatos. Se pensarmos no computador, percebemos que é possível reunir diversos tipos de mídias, multimídias e hipermídias. Essas mídias, se utilizadas de forma a ajudar no desenvolvimento da criticidade, no despertar da curiosidade do aprendiz, podem ser de grande valia para construção e compartilhamento do conhecimento, pois o estudante não receberá somente informações, mas também será participativo no seu processo de aprendizagem. Entretanto, não adianta utilizar recursos da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e continuar com as mesmas metodologias tradicionais de ensino. Desse modo, a potencialidade do computador, é diminuída ou zerada!  
Assim como mencionei na postagem anterior, os meios de comunicação evoluem rapidamente. Para exemplificar esse fato, a televisão , que antes possuía  transmissão de dados de modo unidirecional, sem interação com os telespectadores, hoje já disponibiliza interessantes recursos híbridos com características da Web 2.0. A TV, na grande maioria das vezes, está a serviço do capitalismo, divulgando bens materiais, influenciando e incentivando o consumismo exacerbado. Essa relação entre o homem e a televisão  se assemelha bastante a um modelo muito adotado em instituições de ensino, chamado de educação bancária. Na educação bancária o professor considera o estudante como um ser sem conteúdos, sem saberes e sem cultura. O educador nesse sistema é considerado o detentor de todo conhecimento, os quais devem ser transferidos dele para o aluno. Nessas aulas há pouca interação entre os estudantes e docentes. Assim, ocorre transmissão de dados também de forma unidirecional, sem troca de dados e sem diálogo. Logo, os alunos que recebem informações, as consideram verdadeiras, sem ao menos questionar ou tentar associar com os conhecimentos pré-adquiridos.
Quando falamos na cultura digital, no surgimentos de recursos digitais, não podemos deixar de mencionar a internet. Esse emaranhado de sub- redes, que formam uma rede gigantesca, mundial, que conecta computadores de diversas partes do mundo, tem seu papel imprescindível para as redes de socialização, de compartilhamento e divulgação de informações. É interessante pensar, que a internet consiste em um trafego de pacotes, que são roteados até seus destinos, que só é possível pela existência de uma pilha de protocolos que permitem a conversação entre diversos computadores e sistemas conectados a rede. Páginas são armazenadas em servidores de internet e nos permite a navegação, a busca por todo tipo de dados. Os hiperlinks são exemplos de como podemos navegar em páginas para  começarmos a fazer associações, mapas mentais para chegarmos a uma aprendizagem significativa. Vale ressaltar que um aluno, por exemplo, nesse processo, consegue seguir pelas informações a depender do seu interesse e da melhor forma para si próprio. Assim, se fizermos um mapa entre os estudantes de uma classe que navegue por hiperlinks, vamos perceber os diferentes caminhos seguidos.
Diante disso, a cibercultura está cada dia mais forte e presente entre as pessoas e é quase impossível, hoje, nos desvincular dela. O mundo se moldou a viver em função das TICs, que se tornou um recurso básico para quase todos os setores sociais e, inclusive, para as instituições de ensino. É uma pena que a maioria das escolas ainda resistem em utilizar as tecnologias da informática a favor da educação, com o intuito de melhorar o sistema de ensino. Vale lembrar também que, assim como as tecnologias mudam, os nossos estudantes também mudam e chegam as escolas com culturas diferentes, que não devem ser ignoradas. Os nossos alunos estão acostumados com o digital, o analógico é passado e, muitos deles, nem chegaram a conhecer objetos dessa origem.

Referência: 
 
SANTAELLA, Lucia. Culturas e Artes do Pós-Humano: da cultura das mídias à cibercultura. 2ª ed. São Paulo: Paulus, 2003 (capítulo 4).

domingo, 14 de maio de 2017

Reação ao livro "Modernidade Líquida" de Zygmunt Bauman

 

https://mediaetpotere.wordpress.com/2014/03/26/calvin-hobbes-e-a-modernidade-liquida/

 
Lendo o prefácio e o terceiro capítulo do livro "Modernidade Líquida" de Zygmunt Bauman, me ocorreu algumas reflexões, as quais compartilho nos próximos parágrafos.

Durante a minha formação do ensino médio/técnico em informática e do curso superior em Licenciatura em Computação, percebi o quão rápida ocorria as mudanças em diversos aspectos, dentre as quais destaco: o constante aprimoramento das normas técnicas de escrita; o surgimento de novos recursos tecnológicos; a defasagem de um software; a atualização constante de um antivírus; o surgimento de novas CPUs (processadores); etc. Com isso, a minha busca por conhecimento dos recursos que estavam surgindo era indispensável para meus projetos de faculdade e minha formação, pois algo que antes era o mais recente recurso tecnológico, o qual eu utilizava, depois de um curto período já não era mais. As mudanças aconteciam muito rapidamente e eu, como estudante dessas tecnologias, necessitava me adaptar as novas tendências tecnológicas, muitas vezes, mudando, por exemplo, toda construção de um software.
Vocês já pararam para imaginar o quanto a sociedade mudou ao decorrer do tempo? O mundo está em constante transformação e, nós, precisamos nos adequar, deixar  fluir para que não fiquemos "para trás". Foi exatamente isso que fiz durante todo meu processo de formação no curso de graduação, afinal a mudança é normal e necessária. Se pensarmos em tecnologia, a qual não só se refere ao âmbito da informática, entendemos que são melhorias de elementos já existentes ou a criação de um novo recurso que possa suprir, principalmente, a necessidade humana. Assim, a sociedade "melhora" a cada dia, não dando vez aos elementos que resistem a transformações.
Um pensamento simples que me ocorreu sobre as mudanças sociais, se refere aos artistas musicais do momento. Uma canção que foi muito tocada e se tornou sucesso em um determinado período, após um certo tempo não lembramos nem que ela existiu. Isso se deve ao surgimento de novas músicas, que tomam o lugar das antigas.  Essa rotatividade define qual cantor é sucesso em um determinado momento, por isso, para se manter no auge da carreira, o artista depende do lançamento de um hit que agrade a maioria da população. Percebemos que essa mudança é muito rápida pois, atualmente, tudo é muito efêmero.  As próprias redes sociais nos mostram o quão transitória são as postagens. Se analisarmos os aplicativos de redes sociais Snapchat, WhatsApp, Instagram e Facebook, compreendemos que algumas postagens podem durar apenas 24 horas. Isso se aplica muito ao que Bauman  (2001, p.3) diz que " Não podemos mais tolerar o que dura". Assim, as empresas entenderam que o perfil social, hoje, necessita de constante mudança para alcançar mais visualizações.
Diante do que já foi exposto acima, não podemos desconsiderar a questão do consumismo e da rede mundial que conecta milhões de computadores (Internet). A internet possibilitou que a informação circule por toda a parte do planeta e, se pensarmos em educação, possibilita que o conhecimento esteja acessível a muitas pessoas e não somente aos meios formais de ensino. Assim o conhecimento gira o mundo e, muitas vezes, em tempo real. O perfil das pessoas mudaram, pois com a utilização de recursos das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), podemos realizar várias atividades, ter acesso a diversos conhecimentos ao mesmo tempo e isso nos mostra que informação nunca foi tão acessada quanto acorre nesse momento. O consumo por informações e bens materiais passou do espaço físico, para o virtual, sem a necessidade de interação com ninguém para adquirir o que se precisa. As pessoas também se tornaram mais exigentes e, com isso, as empresas optam em apresentar produtos de interesse do capitalismo, mas nada a longo prazo, pois tudo muda muito rapidamente. O que é de longo prazo é um tédio para a sociedade. Como diz Bauman (2001, p.3) "Não sabemos mais fazer com que o tédio dê frutos."
 

Referência:

BAUMAN, Z. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
 

O acesso as Tecnologias Digitais na Escola.

Lembro muito bem do meu ensino médio técnico em Informática no IFBA- Santo Amaro, em que era proibido o uso de sites e aplicativos de...