É inegável as vantagens
que as tecnologias fornecem para a melhoria do cotidiano das pessoas. Vendo por
essa perspectiva muitos recursos computacionais (softwares e hardwares) são
usados como tecnologia assistiva, com objetivo de incluir socialmente pessoas
com algum tipo de limitação.
Todos nós gostamos de
liberdade, de realizar tarefas sem depender de outra pessoa...ser independente.
Nós necessitamos e temos o direito a isso. Entretanto a inclusão social de
pessoas com alguma limitação física e/ou intelectual pode não funcionar na
maioria das instituições de ensino. Constantemente vemos escolas sem estrutura
física, sem docentes preparados para atender uma sala heterogenia, plural; sem
uma gestão com preparação, sem uma formação continuada, dentre outras
situações.
Hoje, muitas
tecnologias assistivas são desenvolvidas e expostas em grandes eventos para que
o governo ou empresários possam investir nessas ricas criações. Por meio de
sensores e softwares pessoas, por exemplo, que só mexem os olhos conseguem se
comunicar e interagir com o computador, utilizando redes sociais e outros
aplicativos. Com isso, essas tecnologias conseguem incluir socialmente e dar um
pouco de independência as pessoas com diferentes limitações.
Vou relatar um caso de
um aluno, que acompanhei durante um período, que possui Síndrome de Asperger, e
tem muita dificuldade com leitura e escrita. Não que ele não saiba ler e
escrever, mas se irrita fácil, não consegue ler e compreender o que leu e
precisa também melhorar a escrita. Essa criança estuda em uma escola particular
da cidade de Santo Amaro e cursa o 6º ano do Ensino Fundamental. Os professores
da instituições de ensino, aparentemente, não são preparados para atender essa
limitação do estudante e entende que inclusão é realizar as mesmas atividades
dos demais estudantes com ele. O resultado é a baixa aprendizagem do aluno nas
disciplinas de português e redação. É importante ressaltar que a maioria das
avaliações são provas escritas tradicionais e são os tipos de avaliações que o
referido aluno tem maior dificuldade.
Ainda falando sobre esse aprendiz, durante um ano, comecei a desenvolver atividades com ele de escrita e
leitura utilizando o que ele mais gostava: o computador. Como ele jogava muito
e gostava de ler as instruções dos jogos, começamos a trabalhar a leitura a
partir disso e a escrita com a digitação. Além disso, um software educacional
também foi utilizado por ele, que foi o Scratch, e o ajudou muito nas
atividades de raciocínio lógico.
A falta de informação
sobre o processo de inclusão do estudante no ambiente escolar, muitas vezes, é
tão cruel, que o estudante, que relato no meu texto, algumas vezes se chamou de
burro, por não conseguir acompanhar a turma em algumas atividades.
É interessante
percebermos que o software Scratch, o computador e os jogos serviram de
tecnologias assistivas para o desenvolvimento da aprendizagem do estudante.
Desse modo, o fato da cultura digital, da intimidade da criança com o computador,
melhorou bastante o contexto de aprendizagem, pois, normalmente, um estudante
com Síndrome de Asperger, não toleram aulas tradicionais, monótonas e
expositivas. Eles precisam de algo que chame sua atenção para que consiga se
interessar pelos conteúdos escolares e uma boa opção é o uso das tecnologias
digitais nas aulas, pois já faz parte da cultura de parte dos alunos.
Referência:
GALVÃO
FILHO. Teófilo Alves. Tecnologia
assistiva: favorecendo o desenvolvimento e a aprendizagem em contextos
educacionais inclusivos. In: GIROTO, Claudia Regina Mosca; POKER, Rosimar
Bortolini; OMOTE, Sadao.(Org.) As tecnologias nas práticas
pedagógicas inclusivas. Marília, Oficina Universitária; São Paulo,
Cultura Acadêmica, 2012. p. 65-92.

Oi Jessica! achei muito legal a coneção que você fez entre a tecnologia assistiva e sua experiencia na aula com o menino com sindrome de Asperger, e como você encontro o que ele mais gostava para ajudá-lo a aprender.Parabéns!
ResponderExcluirPensando nas práticas pedagógicas, me pergunto por que não utilizamos os softwares e demais tecnologias assistivas para todos os alunos, em lugar de usarmos apenas com aqueles que possuem deficiência... este tipo de atividade mantém a segregação, enquanto aquelas integrariam todos os alunos...
ResponderExcluirIsso, pró! A atividade que desenvolvi com ele não foi na escola, eu não era funcionária dessa escola. A escola não utilizava nenhuma tecnologia da informática nas aulas da turma dele. Acredito que falte informação, formação continuada para esses docentes, pois muitos não gostam e não acreditam no potencial das tecnologias nas aulas.
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