domingo, 14 de maio de 2017

Reação ao livro "Modernidade Líquida" de Zygmunt Bauman

 

https://mediaetpotere.wordpress.com/2014/03/26/calvin-hobbes-e-a-modernidade-liquida/

 
Lendo o prefácio e o terceiro capítulo do livro "Modernidade Líquida" de Zygmunt Bauman, me ocorreu algumas reflexões, as quais compartilho nos próximos parágrafos.

Durante a minha formação do ensino médio/técnico em informática e do curso superior em Licenciatura em Computação, percebi o quão rápida ocorria as mudanças em diversos aspectos, dentre as quais destaco: o constante aprimoramento das normas técnicas de escrita; o surgimento de novos recursos tecnológicos; a defasagem de um software; a atualização constante de um antivírus; o surgimento de novas CPUs (processadores); etc. Com isso, a minha busca por conhecimento dos recursos que estavam surgindo era indispensável para meus projetos de faculdade e minha formação, pois algo que antes era o mais recente recurso tecnológico, o qual eu utilizava, depois de um curto período já não era mais. As mudanças aconteciam muito rapidamente e eu, como estudante dessas tecnologias, necessitava me adaptar as novas tendências tecnológicas, muitas vezes, mudando, por exemplo, toda construção de um software.
Vocês já pararam para imaginar o quanto a sociedade mudou ao decorrer do tempo? O mundo está em constante transformação e, nós, precisamos nos adequar, deixar  fluir para que não fiquemos "para trás". Foi exatamente isso que fiz durante todo meu processo de formação no curso de graduação, afinal a mudança é normal e necessária. Se pensarmos em tecnologia, a qual não só se refere ao âmbito da informática, entendemos que são melhorias de elementos já existentes ou a criação de um novo recurso que possa suprir, principalmente, a necessidade humana. Assim, a sociedade "melhora" a cada dia, não dando vez aos elementos que resistem a transformações.
Um pensamento simples que me ocorreu sobre as mudanças sociais, se refere aos artistas musicais do momento. Uma canção que foi muito tocada e se tornou sucesso em um determinado período, após um certo tempo não lembramos nem que ela existiu. Isso se deve ao surgimento de novas músicas, que tomam o lugar das antigas.  Essa rotatividade define qual cantor é sucesso em um determinado momento, por isso, para se manter no auge da carreira, o artista depende do lançamento de um hit que agrade a maioria da população. Percebemos que essa mudança é muito rápida pois, atualmente, tudo é muito efêmero.  As próprias redes sociais nos mostram o quão transitória são as postagens. Se analisarmos os aplicativos de redes sociais Snapchat, WhatsApp, Instagram e Facebook, compreendemos que algumas postagens podem durar apenas 24 horas. Isso se aplica muito ao que Bauman  (2001, p.3) diz que " Não podemos mais tolerar o que dura". Assim, as empresas entenderam que o perfil social, hoje, necessita de constante mudança para alcançar mais visualizações.
Diante do que já foi exposto acima, não podemos desconsiderar a questão do consumismo e da rede mundial que conecta milhões de computadores (Internet). A internet possibilitou que a informação circule por toda a parte do planeta e, se pensarmos em educação, possibilita que o conhecimento esteja acessível a muitas pessoas e não somente aos meios formais de ensino. Assim o conhecimento gira o mundo e, muitas vezes, em tempo real. O perfil das pessoas mudaram, pois com a utilização de recursos das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), podemos realizar várias atividades, ter acesso a diversos conhecimentos ao mesmo tempo e isso nos mostra que informação nunca foi tão acessada quanto acorre nesse momento. O consumo por informações e bens materiais passou do espaço físico, para o virtual, sem a necessidade de interação com ninguém para adquirir o que se precisa. As pessoas também se tornaram mais exigentes e, com isso, as empresas optam em apresentar produtos de interesse do capitalismo, mas nada a longo prazo, pois tudo muda muito rapidamente. O que é de longo prazo é um tédio para a sociedade. Como diz Bauman (2001, p.3) "Não sabemos mais fazer com que o tédio dê frutos."
 

Referência:

BAUMAN, Z. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
 

7 comentários:

  1. Cara Jéssica yo adoré el cómic que usted adjuntó! interesante saber desde su área de conocimiento como ha percibido el cambio vertiginoso de las tecnologías y su carácter volátil. Realiza usted un diálogo interesante con el texto de Bauman. De acuerdo con usted cuando menciona que el cambio es normal y necesario. Importante también no extrapolar esa idea de lo inmediato, lo efímero y lo pasajero a las relaciones sociales entre las personas, las cuales ojalá se pudieran tornar en relaciones relevantes, durables y profundas.

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  2. Jéssica, Diante desse tempo de mudanças aceleradas que você discute , percebo a angustia que sentimos por não acompanhar tais mudanças. Não acompanhar, se atualizar, significa estar fora, a exclusão! Creio que outras estratégias deveriam ser adotadas para “driblar” ou até mesmo escapar desse círculo viciosos que nos é colocado de sempre estar correndo. O movimento slow motion vem crescendo (lentamente, rsrs) em todo mundo em busca da qualidade de vida da sociedade. Interpreto aí um movimento fluído surgindo. https://angelaalem.wordpress.com/2015/10/23/desacelerando-o-ritmo-de-sua-vida-e-possivel/

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    1. Regina gracias por compartir el link del movimiento Slow Motion, como docente de niños experimenté exactamente lo que dice la autora del blog, ya que entre mas actividades extracurriculares, trabajos para la casa y otras actividades con las que se pretende llenar hoy en día el tiempo de los niños, menos están aprendiendo. Los niños pequeños deben ser guiados por sus docentes hacia el desarrollo de habilidades y dispositivos básicos de aprendizaje que más adelante les sirvan para entender y ejecutar otras tareas. Por esta alta exigencia a los niños pequeños de colmar su tiempo con cuanta actividad exista es que se están presentando tantos casos de estrés y depresión infantil: los adultos no estamos permitiendo que los niños sean niños.

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    2. Sim, é angustiante ter que acompanhar as diversas tecnologias que vão surgindo.
      Se pensarmos no capitalismo, muitas empresas precisam investir em "novidades", investigar a necessidade humana para lançar produtos atraentes e que sejam melhores que os dos seus concorrentes. Assim, as pesquisas e construções de algo novo e inovador não param. Caso parem, as empresas corres o risco de falir, pois o que é durável não é mais aceitável. A população urge por novidades e as empresas estão constantemente lançando novos produtos para se manter no mercado.

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  3. Jessica, concordando com essa visão que você traz em seu texto, Pierre Levy nos fala que nunca como antes na história a velocidade das informações foi tão intensa de modo que os conhecimentos que aprendemos durante nossa formação acadêmica , podem já estar obsoletos inclusive ao final dela.

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  4. A pergunta que fica é: qual o papel da educação e do professor frente a esse movimento veloz e ao sucateamento quase instantâneo dos bens materiais e imateriais e das informações?

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  5. O consumo intermediando as relações humanas, preocupante quando tratamos de analisar as novas gerações que crescem influenciadas por este processo social.Me fez lembrar daquela reportagem da festa do "se nada der certo" promovida por uma escola.

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