Falar sobre inclusão digital é um tanto complicado tendo em vista que o
termo inclusão tem como antônimo a palavra exclusão. Quando digo que estou
incluindo socialmente as pessoas que foram excluídas dá uma ideia de que essas
pessoas estariam fora da sociedade, sem conhecimento das coisas, como num isolamento
sem contato com os acontecimentos sociais, sem interações. Da mesma forma
acontece quando dizemos que parte da sociedade é excluída digitalmente. Mas, sabemos que não é assim. A socialização e as interações sociais podem ocorrer em qualquer ambiente.
Sabemos que a "exclusão digital" traz como consequência a
dificuldade em obter informações, pois o compartilhamento de dados nos meios
digitais é abundante e, muitas vezes, em tempo real. Conhecimento é poder e
libertação, por isso, as pessoas que não têm acesso estão em desvantagens em
relação as pessoas "incluídas digitalmente". Isso funciona também com
as questões de concorrência de uma vaga de emprego no mercado tão competitivo
de trabalho.
Os pertencentes das classes desfavorecidas, e que estão afastados do
contexto digital, tentem a continuar nessa situação, ou até piorar. Os
conhecimentos do uso das tecnologias digitais, hoje, são requisitos de
"inclusão social", tendo em vista que quem não possui conhecimento
sobre as interações sociais digitais, a usabilidade de recurso das tecnologias
podem, por exemplo, não conseguir acessar serviços que, com o advento das
tecnologias da informação e comunicação, só são disponibilizados de forma
online.
Diante dessas questões, percebemos que se torna um beco sem saída, pois
se não há "inclusão social", não há "inclusão digital" e
vice-versa. É importante destacarmos que, a população tem o direito de ter
conhecimentos sobre as tecnologias, ter sua voz e seu espaço na mídia digital.
Quando falamos em "inclusão digital" não podemos esquecer dos
Infocentros, que são locais com computadores conectados
à Internet de banda larga, que ficam à disposição da população. Esses locais
eram considerados políticas de inclusão digital, mas o que víamos era apenas a
disponibilização de recursos para a sociedade, sem uma contextualização, sem a
possibilidade de um uso crítico, de opinar, das pessoas produzirem e
mostrarem suas produções, etc. Ou seja, os Inforcentros eram só centro de
inclusão de modos operacionais. Isso não é a chamada "inclusão
digital", são apenas ambientes de acesso a internet. É importante
salientar que, muitas pessoas que utilizavam os Infocentros, não sabiam nem
ligar um computador e, como não possuíam orientações, não conseguiam utilizar.
Fica o questionamento: Isso é "inclusão digital"?
Referência:
BONILLA, Maria
Helena; OLIVEIRA, Paulo Cezar. Inclusão
digital: ambiguidades em curso. In: BONILLA, Maria Helena; PRETTO,
Nelson De Luca (org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador:
Edufba, 2011, pp.23-48.

A questão é que o conceito de inclusão é tão frágil que qualquer coisa pode ser tomada como inclusão digital, seja o acesso aos dispositivos, seja um curso de formação técnica, seja uma atividade de produção de conteúdo, ou até a inscrição em uma lista para usar um telecentro, como aconteceu aqui na Bahia no início do projeto de inclusão digital do Estado...
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