segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O acesso as Tecnologias Digitais na Escola.



Lembro muito bem do meu ensino médio técnico em Informática no IFBA- Santo Amaro, em que era proibido o uso de sites e aplicativos de redes sociais nos laboratórios de informática e a senha do sinal Wi-Fi não poderia ser entregue aos alunos. Lembro também que, na tentativa desesperada da socialização em rede, os estudantes burlavam o sistema e, muitas vezes, conseguiam se conectar. Muitos estudantes do IFBA- Santo Amaro não possuíam, na época,  internet em suas residências e a única possibilidade de se conectar era na instituição de ensino ou em Lan Houses.  É importante destacarmos que os estudantes de classe média baixa, que não possuíam um computador em suas residências, tinham como única esperança a escola para utilizarem esses poderosos recursos da tecnologia. Entretanto, a escola, barrava a utilização e bloqueava o acesso aos sites e aplicativos de redes sociais que a instituição considerava "impróprios ", ou seja, as socializações em rede eram consideradas impróprias e perigosas para os estudantes. Só era permitido o acesso ao e-mail, a busca no Google, aos editores de texto e de apresentações de slides, planilhas eletrônicas e alguns programas para ouvir músicas. Os jogos eram proibidos. Em resumo, o acesso à internet era extremamente limitado para os estudantes da instituição.
Diferentemente da classe média baixa, em que boa parte dos alunos não tinham acesso ao computador e a internet em casa, os estudantes das classes mais favorecidas conseguiam se familiarizar mais facilmente com esses recursos, visto que já possuíam os dispositivos e o acesso a internet em casa. Mas isso nem sempre é uma regra se levarmos em consideração que muitos pais proíbem seus filhos de utilizares os recursos da informática quando crianças.
A escola precisa mudar, parar de criminalizar as tecnologias dentro dela e incentivar os alunos a utilizar esses recursos de forma consciente, que permita uma construção colaborativa do conhecimento e que explore a autonomia dos aprendizes.  

Referência:

BONILLA, Maria Helena; PRETTO, Nelson. Política educativa e cultura digital: entre práticas escolares e práticas sociais. Revista Perspectiva, Florianópolis, v. 33, n. 2, p. 499 - 521, maio/ago. 2015.

domingo, 27 de agosto de 2017

Marco Civil da internet.



O marco civil da internet me deixa com uma certa preocupação, porque a internet deveria ser livre e sem censura, em que todos poderiam ter acesso e compartilhar o tempo inteiro informações, pois esse é um dos seus objetivos principais. Entretanto não é assim que funciona, tendo em vista que o acesso a internet está nas mãos de grandes empresas e que cobram valores altos para termos acesso. Dessa maneira, somente quem paga acessa e os que não têm condições se mantém excluídos da rede mundial de computadores. Assim, percebemos que a rede não acolhe todas as pessoas da sociedade, mas apenas uma pequena parcela. Quando falamos do marco civil da internet vemos ainda mais limitações e controle de acesso aos interagentes, bem como a quebra da privacidade. Uma das propostas do marco civil é o uso da internet pela compra de pacotes de dados e isso limitaria o compartilhamento, uploads e downloads de dados. Entretanto, se pararmos e pensarmos que esses dados são apenas bits transitando na rede, fica sem sentido limitar a quantidade de bits que podem trafegar numa banda. Independente de ser imagem, vídeos ou textos, são todos bits empacotados saindo da sua origem (emissor) para o seu destino (receptor). A rede necessita de neutralidade, que é a garantia de cada interagente tem de fazer o que quiser com sua banda de internet e com qualidade de conexão e velocidade.
Uma situação preocupante é a quebra de privacidade, pois os provedores de internet teriam que abrir os pacotes de dados (bits), que estão trafegando na rede, para saber quais tipos de dados são, se é imagem, vídeo, música, texto, etc. Assim, as nossas informações estariam nas mãos dos provedores de internet. Esses provedores só deveriam ter a função de permitir o trafego na rede, permitir a conexão, não fiscalizar o que está sendo enviado e recebido.

Referência:

PRETTO, Nelson; BONILLA, Maria Helena. O Marco Civil da Internet: desafios para a educação (Artigo apresentado no EPENN 2014 - Trabalho encomendado para o GT 16 - Educação e Comunicação).

domingo, 13 de agosto de 2017

Inclusão Digital.




Falar sobre inclusão digital é um tanto complicado tendo em vista que o termo inclusão tem como antônimo a palavra exclusão. Quando digo que estou incluindo socialmente as pessoas que foram excluídas dá uma ideia de que essas pessoas estariam fora da sociedade, sem conhecimento das coisas, como num isolamento sem contato com os acontecimentos sociais, sem interações. Da mesma forma acontece quando dizemos que parte da sociedade é excluída digitalmente. Mas, sabemos que não é assim. A socialização e as interações sociais podem ocorrer em qualquer ambiente.
Sabemos que a "exclusão digital" traz como consequência a dificuldade em obter informações, pois o compartilhamento de dados nos meios digitais é abundante e, muitas vezes, em tempo real. Conhecimento é poder e libertação, por isso, as pessoas que não têm acesso estão em desvantagens em relação as pessoas "incluídas digitalmente". Isso funciona também com as questões de concorrência de uma vaga de emprego no mercado tão competitivo de trabalho.
Os pertencentes das classes desfavorecidas, e que estão afastados do contexto digital, tentem a continuar nessa situação, ou até piorar. Os conhecimentos do uso das tecnologias digitais, hoje, são requisitos de "inclusão social", tendo em vista que quem não possui conhecimento sobre as interações sociais digitais, a usabilidade de recurso das tecnologias podem, por exemplo, não conseguir acessar serviços que, com o advento das tecnologias da informação e comunicação, só são disponibilizados de forma online.
Diante dessas questões, percebemos que se torna um beco sem saída, pois se não há "inclusão social", não há "inclusão digital" e vice-versa. É importante destacarmos que, a população tem o direito de ter conhecimentos sobre as tecnologias, ter sua voz e seu espaço na mídia digital.
Quando falamos em "inclusão digital" não podemos esquecer dos Infocentros, que são locais com computadores conectados à Internet de banda larga, que ficam à disposição da população. Esses locais eram considerados políticas de inclusão digital, mas o que víamos era apenas a disponibilização de recursos para a sociedade, sem uma contextualização, sem a possibilidade de um uso crítico, de opinar, das pessoas produzirem e mostrarem suas produções, etc. Ou seja, os Inforcentros eram só centro de inclusão de modos operacionais. Isso não é a chamada "inclusão digital", são apenas ambientes de acesso a internet. É importante salientar que, muitas pessoas que utilizavam os Infocentros, não sabiam nem ligar um computador e, como não possuíam orientações, não conseguiam utilizar. Fica o questionamento: Isso é "inclusão digital"?

  
 Referência: 


BONILLA, Maria Helena; OLIVEIRA, Paulo Cezar. Inclusão digital: ambiguidades em curso.  In: BONILLA, Maria Helena; PRETTO, Nelson De Luca (org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: Edufba, 2011, pp.23-48.

Letramento digital.



Como falar em letramento digital com tantos problemas existentes no sistema da educação brasileira? Rapidamente me veio na memória uma das afirmativas mais frequentes dentro de uma escola quanto se trata do ensino da informática, que é: “Os nossos alunos já sabem usar os recursos da informática.” De fato, mesmo que mecanicamente, alguns estudantes usam (ou já utilizaram) algum recurso da tecnologia, entretanto, isso está longe de ser uma regra. Se tratando do contexto social em que, numa escola pública de ensino, boa parte dos nossos alunos vem de uma classe social desfavorecida, muitos nem sabem o que é um computador (digo isso por experiência). A minoria dos alunos, que utilizam as tecnologias, não aproveitam de forma contextualizada, com um pensamento crítico sobre os dispositivos e softwares que estão interagindo. Dessa forma, a crença que muitas escolas têm é que o ensino da informática deve ser “apenas” associado com outras disciplinas.
Uma grande questão que devemos nos atentar sobre o letramento digital é a questão de como trabalhar as questões da informática, do digital em sala de aula. É importante dizer aqui que o ensino de informática e computação são diferentes. No ensino da informática é ensinado as possibilidades da utilização do computador (uso mais instrumental), já no da computação é ensinado para o estudante o desenvolvimento de técnicas para soluções de problemas que podem ser matematicamente modelados. Nesse ensino, por exemplo, os estudantes aprendem a programação, a codificação e decodificação das linguagens, bem como a essência do computador. Nesse contexto o aprendiz passa a ser mais criativo e responsável por desenvolver produtos. Por esse motivo, para as questões do letramento digital, o mais indicado é a utilização do ensino da computação, que possibilita a resolução de questões, soluções de problemas, contextualizações, críticas, o posicionamento político do aluno e etc. É o ensino de computação, do pensamento hacker, que desejamos nas nossas escolas.

"Todas as pessoas deveriam aprender a programar computadores, porque isso ensina a pensar." - Steve Jobs - fundador da Apple -


Referências:

SABILLÓN, Cinthia Margarita; BONILLA, Maria Helena Silveira . Letramento Digital: una nueva perspectiva conceptual. In: 4º Seminário Nacional de Inclusão Digital: a liberdade digital de aprender, 2016, Passo Fundo: RS. 

RIBEIRO, Ana Elisa. Letramento digital: um tema em gêneros efêmeros. In: Revista da ABRALIN, v.8, n.1, p. 15-38, jan./jun. 2009.

sábado, 15 de julho de 2017

Reação ao livro Polegarzinha.




Não podemos negar que as tecnologias digitais estão presentes no cotidiano das pessoas e que, atualmente, se torna quase impossível a comunicação, socialização e o compartilhamento de informações sem a utilização dos meios digitais. As pessoas mudam, não tem mais o mesmo corpo, a mesma expectativa de vida, não se comunicam da mesma maneira. Foram moldadas com a nova cultura (cibercultura) e seus estilos de vida também se modificaram. Pensando nisso, o ensino se tornou bastante difundido na rede e permite que "todos" acessem informações. Isso é bastante importante tendo em vista que, antes, com a cultura de massas, a mídia possuía (possui) uma função de ensino, através da publicidades, jornais, propagandas... e induziam os telespectadores a suas visões de mundo e um consumismo exacerbado. Ao contrário da cultura de massas, com o estouro das tecnologias digitais, não somos mais ouvintes passivos, nos tornamos ativos, por meio das interações sociais, que nos permite opinar também. As redes sociais na internet nos possibilitam isso. Assim, não cabe mais transmitir conhecimento, mesmo porque os conhecimentos podem ser encontrados na rede. O que cabe a escola é o ensino a pesquisa, a filtrar os dados importantes, pois estamos em um período de muitas publicações e compartilhamentos de informações e precisamos ter o cuidado em selecionar as fontes confiáveis.
Essas mudanças na forma de comunicação e o avanço da tecnologia, mudou até mesmo o funcionamento de nosso cérebro. As crianças de hoje, que nasceram na era digital, desenvolvem habilidades diferentes das demais pessoas que não nasceram nesse período. Sendo assim, as crianças conseguem manipular várias coisas ao mesmo tempo, como ler, escrever, ouvir música, cantar, conversar nas redes sociais, etc.
Quando acessamos algum conteúdo na rede deixamos rastros que podem ser recuperados a qualquer momento. Assim, conseguimos recuperar memórias passadas por meio de buscas na rede e as pessoas podem ser rotulado por interpretações de suas postagens. Por meio dos dispositivos móveis acessamos conteúdos e nos locomovemos ao mesmo tempo, não ficamos mais presos em um ambiente para acessar informações e aprender. A aprendizagem ultrapassou a sala de aula, quebrou barreiras como local e tempo e, agora, encontramos até no nosso movimento.
A utilização da informática na educação pode acarretar em uma aprendizagem significativa e possibilitar o desenvolvimento de uma mente bem mais estruturada e não apenas cheias de conteúdos, como acontecia e acontece nas escolas por meio dos sistemas de transmissões de informações.


Referência:


SERRES, Michel. Polegarzinha. Tradução Jorge Bastos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.

domingo, 9 de julho de 2017

Ambientes Virtuais de Aprendizagem.

Vamos pensar nas seguintes imagens que demonstram a evolução no modo de transmissão de dados em uma rede de computadores:

Simplex:

Percebemos nessa imagem que há apenas um emissor e um receptor. Podemos associar esse modo de transmissão de dados na informática com uma sala de aula, em que há um emissor (professor) e vários receptores (alunos). Nesse contexto somente um "possui informações" os demais só recebem. Esse tipo de transferência de dados se assemelha a cultura de comunicação de massas (rádio, televisão...), onde só ocorre o envio de dados de uma das partes, que alcança a uma grande população, sem levar em consideração seu contexto social, sua cultura, seus conhecimentos prévios, etc.

Half-duplex:



No modo de transmissão de dados Half-duplex o emissor também pode ser receptor, mas a difusão da informação não é simultânea. É necessário o envio de uma informação para depois ocorrer o recebimento. Nesse tipo de transmissão bidirecional já ocorre maior interação entre os dispositivos, sendo que não somente um envia dados.  Podemos associar esse tipo de transferência de dados com as interações entre alunos-alunos e alunos-professores em sala de aula, a maior participação dos aprendizes na construção do conhecimento.

Full-duplex:


No modo de transmissão full-duplex é onde ocorre a verdadeira transferência de dados de modo bidirecional. A transmissão e recepção de dados é simultânea, a interação é constante. Os ambientes de aprendizagem poderiam funcionar de forma semelhante a esse tipo de transmissão, em que as interações são frequentes e ao mesmo tempo, sem a necessidade de pedir permissão, esperar o outro ou apenas receber informações.
Após as associações feitas das formas de educar em ambientes de aprendizagem com as transmissões de dados em rede, podemos compreender que é mais interessante e necessário uma forma colaborativa, com uma comunicação todos-todos para a construção do conhecimento.
Os ambiente de aprendizagem, são espaços que podemos construir conhecimento e que, por analogia, dizemos que os ambientes virtuais de aprendizagem podem representar espaços em rede que nos possibilitam também a construção do conhecimento. Esses ambientes virtuais podem ser qualquer página na web, que ocorra interação, troca de informações de forma colaborativa entre pessoas de um grupos com interesses em comum (ou não). Para que uma página na rede seja caracterizada como um espaço virtual de aprendizagem, depende da forma de utilização, do contexto em que é utilizado e do objetivo das pessoas que utilizam. É importante ressaltarmos que, os estudantes que utilizam um ambiente virtual com foco na aprendizagem, devem possuir o comportamento de interatividade e produção colaborativa. Assim, as tecnologias da informática que possibilitam uma construção em rede deve sempre ser utilizada com um fundamento, não como uma mera ferramenta.
Associamos o Moodle a um ambiente virtual de aprendizagem que, muitas vezes, é utilizado apenas como um ambiente de disponibilização de materiais para os estudantes e, a única interação que o aluno possui nesse ambiente, é o envio e download de arquivos. Sendo que esse local permitem muito mais que apenas um compartilhamento de dados como, por exemplo, mais interatividade utilizando das discussões, problematizações, hipertexto, etc.
Podemos destacar também as relações sociais em rede através dos sites de redes sociais  que hoje nos oferece uma gama de possibilidades para uma grande interatividade e construção colaborativa do conhecimento e de forma significativa, aproximando a educação para a realidade do estudante, respeitando sua cultura.

Referências:


PRETTO, Nelson De Luca; RICCIO, Nicia Cristina; PEREIRA, Socorro Cabral. Reflexões teórico metodológicas sobre ambientes virtuais de aprendizagem. In: 18 Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste - EPENN, 2007, Maceió/Al. Anais... - EPENN. Maceió/Al: UFAL, 2007.

domingo, 2 de julho de 2017

Tecnologia e Inclusão Social.



É inegável as vantagens que as tecnologias fornecem para a melhoria do cotidiano das pessoas. Vendo por essa perspectiva muitos recursos computacionais (softwares e hardwares) são usados como tecnologia assistiva, com objetivo de incluir socialmente pessoas com algum tipo de limitação.
Todos nós gostamos de liberdade, de realizar tarefas sem depender de outra pessoa...ser independente. Nós necessitamos e temos o direito a isso. Entretanto a inclusão social de pessoas com alguma limitação física e/ou intelectual pode não funcionar na maioria das instituições de ensino. Constantemente vemos escolas sem estrutura física, sem docentes preparados para atender uma sala heterogenia, plural; sem uma gestão com preparação, sem uma formação continuada, dentre outras situações.
Hoje, muitas tecnologias assistivas são desenvolvidas e expostas em grandes eventos para que o governo ou empresários possam investir nessas ricas criações. Por meio de sensores e softwares pessoas, por exemplo, que só mexem os olhos conseguem se comunicar e interagir com o computador, utilizando redes sociais e outros aplicativos. Com isso, essas tecnologias conseguem incluir socialmente e dar um pouco de independência as pessoas com diferentes limitações.
Vou relatar um caso de um aluno, que acompanhei durante um período, que possui Síndrome de Asperger, e tem muita dificuldade com leitura e escrita. Não que ele não saiba ler e escrever, mas se irrita fácil, não consegue ler e compreender o que leu e precisa também melhorar a escrita. Essa criança estuda em uma escola particular da cidade de Santo Amaro e cursa o 6º ano do Ensino Fundamental. Os professores da instituições de ensino, aparentemente, não são preparados para atender essa limitação do estudante e entende que inclusão é realizar as mesmas atividades dos demais estudantes com ele. O resultado é a baixa aprendizagem do aluno nas disciplinas de português e redação. É importante ressaltar que a maioria das avaliações são provas escritas tradicionais e são os tipos de avaliações que o referido aluno tem maior dificuldade.
Ainda falando sobre esse aprendiz, durante um ano, comecei a desenvolver atividades com ele de escrita e leitura utilizando o que ele mais gostava: o computador. Como ele jogava muito e gostava de ler as instruções dos jogos, começamos a trabalhar a leitura a partir disso e a escrita com a digitação. Além disso, um software educacional também foi utilizado por ele, que foi o Scratch, e o ajudou muito nas atividades de raciocínio lógico.
A falta de informação sobre o processo de inclusão do estudante no ambiente escolar, muitas vezes, é tão cruel, que o estudante, que relato no meu texto, algumas vezes se chamou de burro, por não conseguir acompanhar a turma em algumas atividades.
É interessante percebermos que o software Scratch, o computador e os jogos serviram de tecnologias assistivas para o desenvolvimento da aprendizagem do estudante. Desse modo, o fato da cultura digital, da intimidade da criança com o computador, melhorou bastante o contexto de aprendizagem, pois, normalmente, um estudante com Síndrome de Asperger, não toleram aulas tradicionais, monótonas e expositivas. Eles precisam de algo que chame sua atenção para que consiga se interessar pelos conteúdos escolares e uma boa opção é o uso das tecnologias digitais nas aulas, pois já faz parte da cultura de parte dos alunos.

Referência:


GALVÃO FILHO. Teófilo Alves. Tecnologia assistiva: favorecendo o desenvolvimento e a aprendizagem em contextos educacionais inclusivos. In: GIROTO, Claudia Regina Mosca; POKER, Rosimar Bortolini; OMOTE, Sadao.(Org.) As tecnologias nas práticas pedagógicas inclusivas. Marília, Oficina Universitária; São Paulo, Cultura Acadêmica, 2012. p. 65-92.

sábado, 17 de junho de 2017

A conexão das coisas.



Imagine o futuro/presente em que várias “coisas” estariam conectadas a internet sem a interação humana para lhes fornecer comandos para executar determinadas ações? É exatamente isso que a internet das coisas propõe. Atualmente existem alguns equipamentos que podemos citar como um passo inicial para a comunicação das coisas através da internet. O Google Glass, por exemplo, é um óculos da empresa Google que permite a interação dos usuários com diversos conteúdos em realidade aumentada. O acessório possibilita também ao interagente tirar fotos a partir de comandos de voz, enviar mensagens instantâneas e realizar videoconferências. Percebemos que com um óculos já é possível tirar fotos, enviar imediatamente para outro dispositivo portátil, armazenar as informações na nuvem, dentre outras funções. Outro dispositivo bastante interessante de tecnologia vestível é o SmartWatch, que é um relógio capaz de se conectar a internet, mostrar informações e operar recursos do telefone, dentre outras funcionalidades.


Google Glass 

SmartWatch

Lembro-me que durante a minha graduação cursei uma disciplina chamada Interação Humano-Computador. Nessa disciplina discutíamos os layouts, as arquiteturas dos objetos da tecnologia e como esses objetos poderiam ser melhorados para o acesso de todos sem exclusão. Ao final do curso elaborei um projeto, juntamente com o colega Fernando Moreira, a respeito da criação ou recriação de uma tecnologia capaz de “facilitar” o dia-a-dia das pessoas. Logo pensamos em construir um protótipo de uma luminária que percebesse o nosso humor a depender da forma que colocamos a chave nela. Assim, criamos uma luminária feita com Arduino e simulamos isso. Quando colocávamos a chave de maneira agressiva a luminária acendia uma cor que representava a calma. Tudo acontecia através de sensores. A proposta era a luminária perceber a nossa chegada e enviar mensagens para outros ambientes da casa e adaptasse a cor da luz, além de colocar um som.
Relatei isso, pois, nós estávamos projetando um tipo de tecnologia com o conceito de internet das coisas sem perceber e, hoje, compreendo a total relevância dessa ideia.
Desse modo, nossas futuras casas, tendem a ser projetadas para que ocorra a comunicação das coisas. A geladeira informar, por exemplo, quando está vazia e mandar mensagem para o SmartPhone com a lista dos elementos que faltam nela. O som compreender o nosso humor e tentar colocar uma música calma ou agitada. A SmartTV desligar sozinha quando o seu sensor perceber que não tem mais ninguém assistindo ou interagindo com ela. A grande sacada desse conceito é que não precisa o interagente disparar comandos, os próprios sensores, que estarão presentes nos dispositivos, vão se encarregar disso, juntamente com a conexão à internet, banco de dados e segurança das informações.


 
Referências:

LEMOS, André. Internet das coisas. In: LEMOS, André. A comunicação das coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013.

ZUIN, Vânia Gomes; ZUIN. Antônio Álvaro Soares. A formação no tempo e no espaço da internet das coisas. Educação e Sociedade, v.37, n. 136, jul./set. 2016.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

É preciso estar conectado.




Diante do atual contexto social, em que a informação é uma das grandes riquezas da denominada sociedade da informação, onde “tudo” cabe e é encontrado em rede, não podemos negar as mudanças ocorridas no comportamento das pessoas na contemporaneidade.
Estava realizando uma avaliação diagnóstica em uma turma do 1º ano do ensino fundamental em que um estudante relatou que a internet serve para acessar o Youtube, WhatsApp e Facebook. Podemos entender diante dessa explicação do aluno que ele enxerga na internet um serviço de socialização, de interação entre as pessoas, numa plataforma que proporciona as relações sociais. Diante dessa situação, essa nova geração já compreende que eles podem conversar com outras pessoas mesmo não estando perto delas fisicamente.
É interessante percebermos que uma das perguntas mais frequentes quando recebemos visita em casa é: “Qual é a senha do Wi-Fi?”. Sim, todos precisam estar conectados para postar, compartilhar, curtir, fazer transmissão ao vivo, dentre outras atividades. Em vista disso, o que antes poderia ser apenas um relato de um encontro de amigos, hoje esse mesmo encontro pode ser transmitido em tempo real, através de postagens e/ou transmissões. Esse comportamento já virou necessidade. Há um grande interesse entre os interagentes das redes sociais em manter relações firmes e que elevem o seu capital social, tendo em vista que a visibilidade em rede é um status importantíssimo e aumenta o ego das pessoas. Percebemos essas questões quando notamos que “celebridades” surgem das redes de socialização com fama, muitas vezes, pelo grande número de seguidores, de curtidas em uma publicação, pois, a depender o algoritmo que um site rede social possua, as publicações mais curtidas, comentadas e compartilhadas terão mais visibilidade. Profissões também surgiram diante de um grande número de seguidores em uma rede social, em que muitas pessoas ganham dinheiro para serem, por exemplo, influenciadores digitais. Basta uma publicação para divulgar uma marca, que pode ter um efeito maior que qualquer outro tipo de publicidade, pois a informação circula em tempo real e atinge a uma grande quantidade de pessoas ao mesmo tempo.
Diante da necessidade constante da sociedade se manter conectada a rede mundial de computadores, tendo em vista que “toda” informação que o interagente necessita estar em rede, o uso dos dispositivos móveis se tornou indispensável na vida de pessoas de várias idades. A praticidade trazida pelos aparatos digitais melhorou a forma de comunicação entre as pessoas. Diante de algumas pesquisas realizadas pelo Cetic.br no ano de 2014, demonstra que 76% das pessoas pesquisadas acessam a internet pelo aparelho celular. Esse número cresceu na pesquisa de 2015, com 89% de pessoas que utilizam o celular para se conectar com a internet. Podemos atribuir esse crescimento no acesso da informação pelo aparelho celular, pela sua mobilidade. Podemos acessar no ônibus, carro, metrô, dentro de casa, andando na rua... Enfim, nos movemos fisicamente e continuamos “navegando” e conhecendo o mundo, nos socializando, estudando, obtendo mais informações, etc. Muitas pessoas comentam que um dia sem o celular é um dia perdido, ou se estar sem o aparelho é a mesma coisa de estar sem roupa. Não digo que o celular virou um vício, mas uma grande necessidade no nosso cotidiano.

Referências:

http://data.cetic.br/cetic/exploreidPesquisa=TIC_DOM&idUnidadeAnalise=Usuarios&ano=2015.

RECUERO, Raquel. Mapeando redes sociais na Internet através da conversação mediada pelo computador. 2009.


LEMOS, André. Cultura da Mobilidade. Revista FAMECOS • Porto Alegre • nº 40 • dezembro de 2009.

domingo, 4 de junho de 2017

Uma experiência no PIBID




Hoje vou relatar uma experiência que vivi durante a minha graduação, que foi a participação no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID. O Instituto Federal da Bahia - IFBA, campus Santo Amaro, tinha um projeto voltado para a capacitação dos professores, de escolas municipais, estaduais e federais, para a utilização das tecnologias digitais. Os ministradores dos cursos para a formação dos docentes eram os bolsista do programa.
Trabalhar com educação não é uma receita de miojo, que é rápida, fácil e prática. A educação é muito complexa e envolve diversos fatores. Costumo dizer que a educação pode se assemelhar com um efeito dominó, pois se uma das partes não vai bem, tudo desmorona. E, assim, lhes digo que não foi nada fácil esse trajeto. Vamos começar falando das pedras que encontramos pelo caminho. A primeira pedra  foi a falta de infraestrutura das instituições de ensino, pois as de âmbitos estaduais e municipais não possuíam internet e nem computadores com boa conservação. Assim, como trabalhar em escolas em que os dois elementos essenciais faltavam? Nós, como alunos do curso de licenciatura em computação, dávamos o famoso "jeitinho" para que algumas máquinas funcionassem para o desenvolvimento das atividades.  A segunda pedra foi a resistência da gestão de algumas escolas, muitas vezes dificultando a liberação dos professores para os períodos de oficinas, eventos e cursos promovidos por nós. A terceira pedra foi a resistência da maioria dos docentes em aprender a utilizar os recursos digitais educacionais para utilizar em suas aulas, principalmente porque os laboratórios de informática o sistema, que as máquinas possuíam, era o Linux educacional 3.0, hoje já encontramos versões mais recentes desse sistema. Algumas falas que recordo são: "Não sei nem o Windows quanto mais o Linux, que é mais difícil."; "Já tenho tanto tempo na educação, estou perto de me aposentar, não quero nem mais saber de computador."; " Os meninos não se interessam, nem me preocupo mais.", dentre outras frases essas foram as que mais ficaram marcadas. Entendemos por essas colocações que muitos professores não têm a consciência do que é um sistema operacional livre e que seu uso é também um ato político, que nos remete muito ao conceito de produção de conteúdos de forma colaborativa, já que muitas versões de kernel Linux são elaborados por grupos de pessoas de várias parte do mundo. A produção desses sistemas é uma forma de compartilhamento de informações que chegam a um resultado, que é o conhecimento.
Diante do entendimento que alguns educadores não conheciam e possuíam uma grande resistência na utilização do sistema operacional que estava presente nas máquinas que funcionavam nas escolas, resolvemos capacitá-los para desconstruir a ideia que somente o sistema operacional pago, o Windows, era mais fácil e melhor. Infelizmente poucos professores aderiram a esse projeto.  Os que participaram, além de aprender a usar o Linux Educacional, conheceram outros softwares livres para, por exemplo, construir vídeos, elaborar quiz, caça palavras, jogos de perguntas e respostas e softwares para edição de texto, criação de planilhas eletrônicas e elaboração de slides (LibreOffice).
Será que os docentes possuem conhecimento da grande indústria que se tornou a venda de produtos digitais? Será que eles possuem consciência que estamos pagando para obter conhecimento? Acredito que falte políticas para capacitação dos professores das redes de educação, formando-os criticamente, para libertá-los da alienação, pois poucos professores sabem das grandes potencialidades e da questão política e social que está por traz dos softwares livres.
Por fim lhes digo que um programa de computador é um conjunto de instruções para realização de uma ação, logo a construção parte de uma sequência lógica. Os programadores, atualmente, compartilham partes de códigos que já foram construídas e que funcionam corretamente, assim, por exemplo, um programador de uma página web não precisaria construir um código para validação de CPF, pois outros programadores já fizeram isso e disponibilizaram. O mesmo funciona com códigos com erros, pois os programadores também disponibilizam esses algoritmos para que outros desenvolvedores corrijam. Com isso percebemos que a construção de um software é colaborativa, assim como deve ser a construção do conhecimento em rede.


Referências:

BENKLER, Y. A economia política dos commons. In: SILVEIRA, S (Org.). A comunicação digital e a construção dos commons: redes virais, espectro aberto e as novas possibilidades de regulação. São Paulo: Perseu Abramo, 2007.

BONILLA, Maria Helena. Software Livre e Educação: uma relação em construção.PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 32, n. 1, 205-234, jan./abr. 2014.

domingo, 28 de maio de 2017

A socialização em Rede.






A socialização acontece desde o nascimento de um indivíduo. É interessante pensarmos que quando nascemos não pertencemos a uma religião ou a uma cultura. Essas questões se estabelecem durante o processo de socialização da criança, que começa a se identificar com o grupo que pertence. Pensemos que cada um de nós somos formados de acordo com o meio social em que vivemos.
Atualmente, o processo de socialização quebrou barreiras, tendo em vista que, nesse período histórico, a sociabilidade entre as pessoas não ocorre apenas num espaço físico. Os recursos das tecnologias da informação e comunicação nos possibilitam o estabelecimento de relações, de troca de informações , de conhecimento de culturas, mesmo não estando fisicamente num local para isso. Através das relações sociais, que se constituem na rede, movimentos são criados e informações são compartilhadas. Tendo em vista o grande potencial da internet na troca de informações, de conhecimentos, por que não utilizar esse poderoso recurso na educação?  O docente, nesse contexto de aprendizagem, passa ser um mediador dos elementos que vão surgindo e o aluno pode ser autor dos conhecimentos. É interessante percebermos que, na Web não há hierarquização absoluta, sendo assim, o que está disponível na rede se encontra em um mesmo plano. Esse fato é interessante para desmitificarmos a educação de forma vertical, em que o professor está no topo distribuindo informações para baixo, nesse caso, para o aluno.  Com a utilização da rede, todos podem divulgar, compartilhar informações, estando no mesmo patamar, de forma horizontal.
Assim como já mencionei, a socialização entre as pessoas ganhou novo espaço. A interação no ciberespaço, nos faz compreender que a comunicação   entre os sujeitos ocorre em alguns suportes, que são os sites e aplicativos de redes sociais. Gosto sempre de fazer uma analogia sobre os locais que ocorre a socialização na rede e fisicamente. Por exemplo: uma sala de aula é o local onde ocorre a comunicação entre as pessoas, assim, a socialização não é a sala de aula, mas sim feita pelas pessoas que nela estão. O mesmo ocorre com os aplicativos e sites de redes sociais, em que a rede em si não é o Facebook ou Whatsapp, mas se dão através das relações que se estabelecem nesse site e aplicativo de redes sociais. Dessa forma, independente do interagente estar na frente de uma tela de computador ou de celular, ele está participando dos sites de redes sociais e estabelecendo comunicação com outras pessoas. Assim, não é porque estamos "na tela" que estamos isolados do mundo, pelo contrário, conhecemos mais o mundo.
Dessa maneira, existem diversas possibilidades do uso das redes sociais, não só para educação, mas também para os diversos setores da sociedade, facilitando, muitas vezes, a troca de conhecimentos, de comunicação e de divulgação de informações.

Referência:


LÉVY, Pierre. Cibercultura/ Pierre Lévy. São Paulo. Ed. 34, 1999.

O acesso as Tecnologias Digitais na Escola.

Lembro muito bem do meu ensino médio técnico em Informática no IFBA- Santo Amaro, em que era proibido o uso de sites e aplicativos de...